Apesar de eu estar trabalhando em um projeto de desenvolvimento e pesquisa operacional, estar a caminho do último semestre da faculdade, e estar com tudo certo para ser contratada em uma excelente empresa de P&D no Ceará na qual eu fui estagiária por 2 anos, eu decidi me inscrever para o Ciência sem Fronteiras. 

Apesar de eu ainda ter algum medo por essa ser a minha primeira viagem internacional, no fundo, eu estava me sentindo como os espanhóis quando lançaram seus navios ao mar em direção a mares “nunca antes navegados”.

marcelaFoto: Arquivo pessoal de Marcela

Outra coisa que me preocupara era o fato de eu nunca ter feito um curso de inglês no Brasil. Por conta de eu ser de uma família muito humilde do interior do Ceará (Aratuba), um curso de inglês era algo totalmente fora de questão. No entanto, quando eu cheguei em Tempe, Arizona, em agosto de 2013 não tive muitas dificuldades. Comecei o curso de inglês da Arizona State University. Entrei no clube Women in Computer Science mas era quase impossível acompanhar tudo que era dito pois eu estava muito no começo.

Em 2014, eu comecei a ter aulas relacionadas à minha graduação em Ciência da Computação. Eu estudei Gerência de Projetos, onde juntos com alguns colegas de classe, ajudei a criar o The Social Film Club. Um clube de discutir cinema. Também estudei Astronomia, uma das minhas paixões. O que me ajudou a conseguir participar das reuniões de um dos projetos financiados pela NASA aqui na Arizona State.

Porém foi em Maio que aconteceu algo maravilhoso que mudou para sempre a forma como eu penso sobre ciência. Eu fui selecionada para a 2014 Wolfram Science Summer School. Primeira brasileira a conseguir uma vaga nessa summer school e única pessoa do Brasil esse ano. Eu apresentei um projeto sobre Processamento de Imagens e Autômatos Celulares. Mas foi a inteligência do Dr. Stephen Wolfram que fez essa oportunidade ser algo mais que especial para mim. Depois disso, fui visitar a antena usada para descobrir a radiação cósmica de fundo – longa história que eu contei para o pessoal da Rede CsF no link abaixo.

Agora de volta à ASU, estou estudando desenvolvimento de jogos, desenvolvimento de aplicativos para iOS, mais duas disciplinas de programação e faço parte também de um projeto que ensina tecnologia para crianças. Um dos grandes sonhos que sempre tive. Além disso, sou uma das fundadoras do Brazilian Club at ASU, uma organização para ajudar estudantes brasileiros a melhorar no inglês, encontrar estágios, saber mais sobre a universidade e a cidade. Tem sido tudo mais que maravilhoso. Quem tiver a oportunidade de vir estudar em outro país, não perca tempo! 

https://www.facebook.com/brazilianclubatasu

https://www.youtube.com/watch?v=wc5QAwEqW4A

Obrigada, meninas!

 Marcela Alves